Saiba como brincar o carnaval de forma sustentĂĄvel


Com mudança climåtica e todos os impactos do desequilíbrio no planeta, é difícil não pensar em mudança de håbitos ou tradiçÔes. No carnaval, não é diferente, a folia ganha as ruas nos próximos dias, mas efeitos poderiam ser positivos, afirma a designer de impacto e sustentabilidade, Luciana Lancerotti.

“NĂŁo se tem um dado de quantos foliĂ”es teremos neste carnaval. A estimativa Ă© de que mais de 50 milhĂ”es de pessoas participem, seja em bloquinhos, seja em carnaval de desfile, seja em festas, nĂŁo importa. Se a gente pensar que 50 milhĂ”es de pessoas vĂŁo brincar em dois, trĂȘs dias, estamos falando de um volume enorme de pessoas que poderiam agir em prol de benefĂ­cio para nĂłs mesmos”, diz.

De acordo com a especialista, para que essa mudança ocorra é necessårio pensar de forma circular, ou seja, pensar que tudo que consumimos precisa voltar para o ciclo de uso de forma positiva, sem causar danos. Um exemplo, é a escolha da maquiagem no carnaval. Segundo Luciana, o produto pode ser biodegradåvel, feito de sementes ou outras substùncias naturais que, após o banhar, escorrem pelo ralo e não vão poluir a ågua e o solo.

“A gente jĂĄ sabe que um dos maiores problemas que a gente tem Ă© a poluição com plĂĄstico. Existem dados cientĂ­ficos da quantidade de microplĂĄsticos que estĂĄ no nosso corpo de forma prejudicial. E eu convido as pessoas a pesquisar sobre isso, para que tomemos consciĂȘncia. O glitter, por exemplo, nada mais Ă© que um microplĂĄstico”, explica.

>>Mais de 41% dos resíduos urbanos tiveram destinação inadequada em 2023

Luciana ressaltou que a escolha de levar uma garrafinha ou um copo para a folia pode evitar impacto negativo na hora de se hidratar. Assim, segundo ela, menos garrafas pet e latas de alumĂ­nio deixam de ser jogadas nas ruas. “O que a gente tem pensado com consciĂȘncia e tentado fazer, Ă© evitar produzir mais um lixo.”

Luciana lembra importñncia de o folião levar uma bolsa ou sacola para recolher o resíduo e garantir que o material vá para o lugar certo. “Isso acontece no cotidiano da gente”, disse. Ela aconselhou ainda a pessoa evitar adquirir vários produtos poluentes.  “Quem sabe eu compro só uma garrafa de água e uso as bicas de água para manter a minha hidratação? Depois eu levo para casa e faço descarte,” completou.

Exemplo

Em BrasĂ­lia, por exemplo, o grupo performĂĄtico PatubatĂȘ faz a festa de milhares de pessoas hĂĄ 25 anos, tendo o cuidado de nĂŁo fazer do carnaval um problema para o planeta. Com bloquinho, shows, oficinas de mĂșsica e construção de instrumentos, a folia Ă© garantida com a ideia de nĂŁo gerar resĂ­duos.

“A gente toca em tambores feitos de tonĂ©is, latas, barras, panelas. EntĂŁo, tudo que emite um som, a gente recicla para fazer mĂșsica”, explica o mĂșsico e fundador do grupo, Fred MagalhĂŁes.

Quando surgiu a ideia do grupo, Fred lembra que a primeira preocupação foi a sustentabilidade econĂŽmica para levar a mĂșsica ao maior nĂșmero de pessoas. “Muita gente gostava muito de ver a gente tocar e tambĂ©m queria tocar. E com uma panela, um balde, uma coisa que eu tenha em casa fica mais fĂĄcil”, diz.

Quanto mais a festa ganhava as ruas, maior foi a preocupação dos integrantes com os resíduos que a folia gerava, lembra Fred. “A gente pensou: temos que reciclar os resíduos sólidos, as coisas que a gente joga fora, porque o nosso lixo não vai para a Lua, nem vai para a Marte. Então a gente tem que dar um outro destino, porque, senão, daqui a pouco a gente está nadando em lixo”, afirmou.

Logo, as oficinas também passaram a ensinar como usar garrafas pet, latinhas e outros resíduos na confecção dos instrumentos. E, a cada show ou desfile de bloco, o trabalho passou a ser também de conscientizar os foliÔes a recolherem seus resíduos para transformå-los em algo criativo e musical.

“JĂĄ fomos para 20 paĂ­ses e em mais de 400 cidades do Brasil. Sempre levando essas oficinas e essa consciĂȘncia de que a gente tem que reaproveitar nosso material. E, hoje em dia, nĂłs temos uma outra coisa que Ă©, alĂ©m de reciclar o material, pensarmos tambĂ©m em reciclar as relaçÔes com o prĂłximo”, salientou.

Segundo Fred, a ideia tambĂ©m Ă© levar as pessoas a uma reflexĂŁo sobre a importĂąncia de manter relaçÔes humanas que se sustentem ao longo do tempo. “Porque nĂŁo adianta sĂł jogar o lixo fora da forma correta se, ao mesmo tempo, eu tenho atitudes no meio da rua de agredir as pessoas, de nĂŁo dar bom dia a quem trabalha comigo, ao vizinho do meu prĂ©dio, Ă s pessoas que estĂŁo sempre comigo”, frisou.

Com as iniciativas, o grupo PatubatĂȘ espera difundir cada vez mais um carnaval verdadeiramente sustentĂĄvel, baseado em atitudes que sejam duradouras nos trĂȘs aspectos da sustentabilidade: econĂŽmico, ambiental e social. “Obviamente que a gente nĂŁo tem total controle porque no carnaval Ă© muita gente, mas sempre estamos falando e na hora da oficina tambĂ©m. Falamos muito sobre isso com as crianças, a gente demonstra isso atravĂ©s de brincadeiras e dinĂąmicas”, completou.

Neste carnaval de 2025, a folia do grupo PatubatĂȘ, em BrasĂ­lia, começa neste sĂĄbado (1Âș) das 13h Ă s 16h, em frente ao Minas BrasĂ­lia TĂȘnis Clube. “A gente vai fazer oficina, cortejo, bloquinho e bloco do PatubatĂȘ”, informou Fred

0