Projeto da Assistência Social incentiva participação de acolhidos no cuidado de espaços públicos – Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu


Participação dos acolhidos é sempre voluntária e envolve diversas atividades de manutenção dos espaços coletivos.

 

 

A Secretaria Municipal de Assistência Social iniciou o Projeto Ambiência Participativa. Essa é uma proposta que busca incentivar a participação voluntária de acolhidos e usuários dos serviços socioassistenciais em ações de cuidado, conservação, organização e melhoria dos espaços públicos vinculados à secretaria.

O projeto começou pela Casa de Passagem II com trabalhos de pintura de ambientes, organização de espaços internos, limpeza de áreas externas, jardinagem e outros pequenos cuidados com os espaços coletivos. A participação dos acolhidos é sempre voluntária. Atualmente, entre oito e dez pessoas participam das atividades, o que representa cerca de 30% dos acolhidos da unidade.

“O Projeto Ambiência Participativa nasce da escuta. Quando começamos a conversar com os acolhidos sobre suas histórias, suas habilidades e o que gostariam de fazer, percebemos que havia muito mais do que vulnerabilidade, havia potência. Dentro do Sistema Único de Assistência Social, nosso papel não é apenas proteger, é criar condições para que cada pessoa se reconheça como sujeito de direitos e parte da comunidade. É isso que este projeto faz, um espaço de cada vez”, afirma a coordenadora da Casa de Passagem II, Ivana dos Santos Batista.

Os resultados vão além da melhoria dos espaços. O acolhido João (nome fictício) chegou à Casa de Passagem II em situação de rua, com uso abusivo de álcool, após perder vínculos familiares e o emprego. Com o acompanhamento da equipe, a escuta qualificada e os encaminhamentos para tratamento de saúde, encontrou no projeto um espaço de contribuição. Foi ele quem, junto com outros dois acolhidos, iniciou a pintura da casa. “Eu queria fazer algo por esse lugar. Pintar me ocupa a cabeça, me faz sentir que estou contribuindo. Não me sinto mais inútil”, conta. Além das atividades do projeto, Paulo segue sendo acompanhado pelo CAPS AD e está em processo de reinserção no mercado de trabalho.

José (nome fictício) também chegou em situação de rua e, desde o início do acolhimento, pediu à equipe que queria cuidar das plantas e organizar um jardim. Com o apoio e os encaminhamentos realizados pela casa, hoje está empregado em uma rede de supermercados da cidade e construindo sua autonomia, organizando seu próprio espaço de moradia.

Pedro (nome fictício) é colombiano e tem conhecimento em carpintaria. Desde que foi acolhido quis contribuir. Sem nenhum documento quando foi acolhido, hoje celebra uma conquista que parecia distante. Com o acompanhamento da equipe, regularizou toda a sua situação e segue seu processo de reconstrução.

“Conversamos com cada acolhido sobre suas habilidades e potencialidades, sempre em acordo com a política de assistência social”, reforça a coordenadora. “O projeto não substitui nenhuma etapa do acompanhamento técnico, ele caminha junto. É mais uma ferramenta de vínculo, de escuta e de reconstrução de projetos de vida”, destaca.

Todas as atividades realizadas são acompanhadas pela coordenação, com suporte da Diretoria de Proteção Social Especial e da Divisão de Proteção Social Especial de Alta Complexidade.

O projeto já deve ser ampliado para o Centro Integrado de Atendimento à População em Situação de Rua (CIAPS), onde um acolhido com experiência em pintura já se ofereceu voluntariamente para revitalizar a sala do Serviço Especializado em Abordagem Social.

“Com o Projeto Ambiência Participativa queremos fortalecer a cidadania e o enfrentamento aos estigmas associados à população em situação de rua. Quando o acolhido cuida do espaço que habita, ele pertence a esse espaço. E pertencer é o primeiro passo para se reconstruir”, conclui.


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Fonte: Franciele John

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