Elevar a qualidade do serviço prestado à população e aos visitantes, garantir a sustentabilidade financeira e prever instrumentos que permitam a melhoria contínua da operação. Esses foram os principais temas do transporte coletivo debatidos na plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico (Codefoz) nessa segunda-feira, 3.
A prefeitura, por meio do Instituto de Transportes e Trânsito (Foztrans) e da consultoria Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas (Fepese), apresentou os detalhes do estudo técnico para o transporte coletivo municipal. Esse diagnóstico servirá de base para a nova licitação, com edital previsto para ser lançado em setembro.
A sessão presencial e online do conselho reuniu cerca de cem participantes, entre conselheiros, gestores públicos, vereadores e lideranças empresariais e da sociedade civil. Foi a primeira discussão aberta sobre a nova modelagem do serviço, possibilitando à comunidade conhecer e sugerir melhorias.
A futura concessão do transporte coletivo prevê contrato de 20 anos e projeta uma reestruturação do serviço para atrair passageiros e estabelecer o equilíbrio econômico do sistema. Hoje, esse funcionamento depende de subsídio mensal de aproximadamente R$ 3,7 milhões, aportados pelo erário.
“Esse diálogo aberto pelo poder público sobre o transporte coletivo é necessário e importante”, reiterou o presidente do Codefoz, Marcelo Brito. “A certeza que temos é que o modelo atual não atende às necessidades de Foz do Iguaçu. A plenária serviu para conhecermos o sistema que está sendo proposto e, assim, avançarmos”, disse.
O secretário-executivo do Gabinete do Prefeito, Márcio Bortolini, afirmou que a reunião, assim como a audiência pública que será realizada, busca ouvir a sociedade e coletar contribuições. “O propósito da administração é trabalhar para oferecer o melhor transporte público com o menor custo, a um valor suportável pelo poder público”, ponderou.

Exposição do novo modelo
A proposta da prefeitura projeta aumento de 69% nas viagens em dias úteis, passando de 702 para 1.183 trajetos, além de incremento nos fins de semana, conforme a apresentação feita por Robson Lima Souza, técnico do Foztrans. Os passageiros contarão com a frota operante subindo de 98 para 108 veículos e mais linhas ativas, visando a reduzir o tempo de espera nos pontos de ônibus.
A reestruturação deverá elevar a quilometragem mensal de 600 mil para 800 mil quilômetros (crescimento de 27%), objetivando maior frequência em toda a cidade, argumentou o representante da autarquia. A nova frota será 100% equipada com ar-condicionado e contará com tecnologia de bilhetagem moderna, com pagamentos por aproximação e integração temporal fora do Terminal de Transporte Urbano (TTU), por meio de oito pontos estratégicos distribuídos pela cidade.
“A maior reclamação dos usuários hoje é a oferta, que nós vamos aumentar, elevando para 800 mil quilômetros mensais com apenas 10% de aumento da frota. Isso diminui o custo devido à otimização da operação”, explicou Robson. “Redesenhamos todas as linhas. As pessoas vão fazer integração e se deslocar entre as microrregiões sem precisar passar pelo centro. O deslocamento vai ser muito mais rápido, porque a pessoa, dentro do próprio bairro, conseguirá integrar”, pontuou.
Para sustentar as melhorias, a proposta prevê uma nova tarifa pública de R$ 6, buscando adequar o valor, que não é reajustado desde 2022, expôs o representante do Foztrans. As gratuidades — que representam 52% dos usuários dos ônibus hoje — permanecerão, mas serão racionalizadas de modo que o uso do benefício seja em conformidade com a previsão legal.
Debate na plenária
O presidente do Observatório Social de Foz do Iguaçu, Haralan Mucelini, citou que a tarifa técnica e os subsídios públicos em Foz são os maiores do estado, que o número de pagantes cai, enquanto as gratuidades crescem. O presidente da ACIFI, Edmilson Iareski, reforçou que a nova modelagem precisa garantir o equilíbrio financeiro das operações, aliviando os custos do erário.
O secretário municipal de Turismo e secretário do Codefoz, Jin Petrycoski, e a diretora-executiva do Visit Iguassu, Eliane Tenerello, convergiram em medidas de aperfeiçoamento do serviço no corredor turístico da cidade. A representante da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Deise Baumgratz, pediu atenção para o aumento da demanda por transporte coletivo que virá com a conclusão das obras do Campus Arandu.
(AI Codefoz)
