A empresária Philomena Raffagnin foi a vencedora da enquete pública promovida pela Prefeitura de Foz do Iguaçu para definir o nome da futura Casa da Mulher Paranaense no município. A consulta foi realizada por meio do perfil oficial da Prefeitura no Instagram e contabilizou 16,5 mil votos.
Philomena obteve 35% da preferência popular, ficando à frente de Mãe Marina Tunirê (31%), Zarhará Tormos (28%) e Izolete Nieradka (6%). A votação integra a etapa de participação popular no processo de denominação do espaço, que segue as diretrizes estabelecidas pelo Governo do Estado para a implementação da Casa da Mulher Paranaense.
A secretária da Mulher, Scheila Melo, destacou que a consulta pública foi uma forma de envolver a comunidade na escolha do nome, fortalecendo o sentimento de pertencimento em relação ao novo espaço, que será fundamental para a qualificação e o estímulo à autonomia profissional das mulheres. Segundo ela, todas as indicadas que avançaram para a etapa final foram sugestões da própria população, e a vencedora também foi escolhida de forma democrática, após disputa acirrada. “Dar um nome à Casa da Mulher Paranaense em Foz do Iguaçu é reconhecer o protagonismo feminino na nossa cidade. Em todo o Paraná, apenas 30 unidades serão construídas, e cada uma levará o nome de uma mulher com vínculo local e contribuição relevante”, afirmou.
Trajetória de impacto social e econômico
Nascida em 9 de janeiro de 1929, no município de Sananduva, no interior do Rio Grande do Sul, Philomena Raffagnin construiu uma trajetória de impacto social e econômico a partir da cozinha ao longo dos 60 anos em que viveu em Foz do Iguaçu. Sem formação acadêmica formal, transformou disciplina, trabalho diário e eficiência no uso de recursos em um legado que hoje justifica a escolha de seu nome para representar a Casa da Mulher Paranaense em Foz do Iguaçu.
Criada em ambiente rural, aprendeu desde cedo que cozinhar não era apenas preparar alimentos, mas organizar a vida, cuidar das pessoas e garantir sustento. No fogão a lenha, acompanhando a mãe, Dona Joanna, assimilou princípios que mais tarde se tornariam método: responsabilidade compartilhada, trabalho coletivo e aproveitamento integral dos recursos.
Ao se casar com Olímpio Raffagnin, recebeu da sogra a chave da cozinha da casa da família, gesto que marcou o início de uma vida dedicada à gastronomia e à hospitalidade. Criou oito filhos e dois filhos de criação, formando todos pelo exemplo. A cozinha tornou-se sua escola; a disciplina, seu modelo de gestão; e o ato de servir, sua linguagem do amor.
Nos anos 1960, quando Foz do Iguaçu ainda se estruturava como cidade e antes da construção da Usina de Itaipu, assumiu a cozinha da Churrascaria São Cristóvão. No ano de 1981, ocorreu a inauguração do Rafain Palace Hotel, dando início à sua atuação no segmento de hospedagem e realização de eventos.
Com organização, constância e o apoio dos talentos que ajudou a formar, transformou o trabalho cotidiano no embrião do que se tornaria um dos mais relevantes grupos gastronômicos e hoteleiros do Paraná, contribuindo diretamente para consolidar uma cultura de hospitalidade, geração de empregos e valorização do trabalho local. Faleceu em 6 de junho de 2025, aos 96 anos.
Política pública para autonomia feminina
A Casa da Mulher Paranaense integra a política estadual voltada às mulheres, estruturada a partir de diretrizes normativas do Governo do Paraná. O programa tem como missão promover a autonomia econômica feminina, incentivar o empreendedorismo, ampliar oportunidades de qualificação profissional e fortalecer o protagonismo das mulheres no desenvolvimento social e econômico.
Em Foz do Iguaçu, o espaço será destinado à oferta de cursos, oficinas, capacitações, orientação para acesso ao crédito e ações educativas voltadas à geração de renda e independência financeira.
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Fonte: Tamara Soares
