Paes entrega a Lula documento com 36 demandas de prefeitos do U20


Prefeitos do U20, grupo das maiores cidades do G20, entregaram neste domingo (17) ao presidente Luiz Inåcio Lula da Silva um documento com 36 pedidos para repensar as cidades, reduzir as desigualdades no espaço urbano e enfrentar as mudanças climåticas. Lula recebeu o documento do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, na cerimÎnia de encerramento das atividades do U20.

Assinado por prefeitos e representantes de 26 cidades do U20, mais sete cidades observadoras e 25 cidades convidadas, o documento estĂĄ dividido nos mesmos trĂȘs eixos da presidĂȘncia brasileira no G20: combate Ă  fome e a pobreza; desenvolvimento sustentĂĄvel, mudanças climĂĄticas e transição energĂ©tica justa; e reforma das instituiçÔes de governança global. 

Realizada no Armazém Utopia, na zona portuåria do Rio de Janeiro, a cerimÎnia de encerramento começou com 20 minutos de atraso e durou cerca de 50 minutos.


Rio de Janeiro (RJ), 17/11/2024 – Mesa do fĂłrum de prefeitos do G20 (Urban 20), na zona portuĂĄria da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 17/11/2024 – Mesa do fĂłrum de prefeitos do G20 (Urban 20), na zona portuĂĄria da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil

Mesa do fĂłrum de prefeitos Urban 20) – Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil

O evento teve a presença do presidente do Chile, Gabriel Boric, que entregou o documento junto com Eduardo Paes. Além deles, as prefeitas de Freetown (Serra Leoa), Aki Sawyerr, e de Phoenix (Arizona, Estados Unidos), Kate Gallego, participaram da entrega do documento.

Voltado à gestão das cidades, o U20 foi realizado paralelamente ao G20 Social, iniciativa do G20 que reuniu as reivindicaçÔes da sociedade civil. Grupo das 19 maiores economias do planeta, mais União Europeia e União Africana, o G20 inicia a reunião de chefes de Estado e de Governo nesta segunda-feira (18).

Planejamento urbano

Em seu discurso, o presidente Lula afirmou que as cidades precisam de ajuda para financiar o custo da transição ecológica. Ressaltou que o planejamento urbano tem um papel crucial na transição ecológica e no enfrentamento à mudança do clima.

“As cidades não podem custear sozinhas a transformação urbana. Elas não podem ser negligenciadas nos novos mecanismos de financiamento da transição climática. Infelizmente, os governos esbarram em uma enorme lacuna de financiamento no Sul Global. Apenas uma parcela dos recursos necessários chega aos países em desenvolvimento e uma parte ainda menor alcança nossas metrópoles”, disse o presidente.

Lula também destacou que mais da metade da população mundial vive nas cidades, que respondem por 80% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Lembrou que as cidades concentram 70% das emissÔes de gases de efeito de estufa e 75% do consumo global de energia.

“Esses mesmos centros urbanos estĂŁo desproporcionalmente expostos Ă s consequĂȘncias das mudanças climĂĄticas, Ă  subida do nĂ­vel dos oceanos, Ă s ondas de calor, Ă  insegurança hĂ­drica e a enchentes avassaladoras, como as que vimos recentemente no Sul do Brasil, na ColĂŽmbia e na Espanha”, afirmou o presidente.

Desafios

Segundo o documento, o mundo enfrenta “desafios complexos” que exigem a articulação de mĂșltiplos atores globais e locais capazes de promover integridade e justiça para alĂ©m de suas fronteiras. O texto menciona que 56% da população global vive em cidades, com a expectativa de o nĂșmero subir para 70% nos prĂłximos 25 anos.

Em relação ao financiamento, a carta dos prefeitos pede investimentos de US$ 800 bilhÔes por ano em açÔes climåticas. O dinheiro cobriria apenas cerca de 20% da necessidade de financiamento climåtico nas cidades, mas ajudaria a induzir e estimular investimentos do setor privado. Entre os investimentos necessårios, estão a transição para fontes de energia renovåveis, reformas estruturais nos espaços urbanos e a construção de habitaçÔes mais sustentåveis.

Os prefeitos tambĂ©m pediram que os bancos multilaterais e os governos destinem 40% de financiamentos a juros baixos para projetos municipais que deem prioridade a comunidades de baixa renda, bairros vulnerĂĄveis, trabalhadores e pessoas em situaçÔes de risco. Parte do financiamento pĂșblico seria custeada pela taxação progressiva (sobre os mais ricos) em escala global.


Rio de Janeiro (RJ), 17/11/2024 – Mesa do fĂłrum de prefeitos do G20 (Urban 20), na zona portuĂĄria da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 17/11/2024 – Mesa do fĂłrum de prefeitos do G20 (Urban 20), na zona portuĂĄria da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil

Mesa do fĂłrum de prefeitos Urban 20) – Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil

Prioridade

Em seu discurso, o prefeito Eduardo Paes afirmou que as cidades tĂȘm papel central na melhoria das condiçÔes de vida e que precisam receber atenção prioritĂĄria dos paĂ­ses do G20. Segundo ele, os US$ 800 bilhĂ”es anuais permitirĂŁo que os municĂ­pios promovam uma transição ecolĂłgica justa, que proteja as populaçÔes vulnerĂĄveis e crie empregos que fortaleçam uma economia mais verde.

“À medida que as cidades enfrentam problemas globais em escala local para melhorar as condiçÔes de vida dos que mais precisam e proteger o planeta, ecoamos a priorização da presidĂȘncia do G20 de reformar a governança global e pedimos um sistema multilateral renovado que reconheça o papel das cidades como atores polĂ­ticos cruciais e o nĂ­vel de governo mais prĂłximo das comunidades que atendem”, declarou Paes.

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