A fibromialgia Ă© uma sĂndrome clĂnica que atinge de 2,5% a 5% da população brasileira. Neste mĂȘs, o Governo Federal anunciou uma sĂ©rie de novas diretrizes que visam ampliar a visibilidade da doença e implementar novas oportunidades de tratamento atravĂ©s do Sistema Ănico de SaĂșde (SUS). ![]()
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Segundo o reumatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, JosĂ© Eduardo Martinez, em entrevista concedida ao Tarde Nacional â AmazĂŽnia nesta terça-feira (24), a fibromialgia Ă© uma doença que causa dores constantes por todo o corpo, sem qualquer ligação com lesĂ”es ou inflamaçÔes.Â
âĂ a dor generalizada. Muitas vezes, se nĂŁo na maior parte das vezes, essa dor vem acompanhada de fadiga, uma alteração no sono, distĂșrbios cognitivos, entĂŁo esse conjunto de sintomas Ă© o que a gente chama de fibromialgiaâ, conta.Â
Segundo estudos revisados pela revista Rheumatology e o National Institutes of Health (NIH), as mulheres representam mais de 80% dos casos, principalmente na faixa de 30 e 50 anos. NĂŁo se sabe a origem da doença, mas questĂ”es hormonais e genĂ©ticas estĂŁo entre as possibilidades investigadas. Â
DiagnĂłstico
– A fibromialgia nĂŁo Ă© uma doença inflamatĂłria, ela gera uma disfunção dos neurĂŽnios ligados Ă dor, que se tornam excessivamente sensibilizados. Dentre os sintomas mais comuns, estĂŁo:Â
. Dor constante no corpo
. Fadiga e falta de energia
. Formigamento nas mãos e nos pés
. Problemas no sono, incluindo crises de apneia e insĂŽnia
. Sensibilidade ao toque e a estĂmulos ambientais, como cheiros e barulhos
. AlteraçÔes de humor, como depressão e ansiedade
. Dificuldades de memória, concentração e atenção
Para JosĂ© Eduardo Martinez, a identificação dos sintomas Ă© uma questĂŁo complicada, e gera dificuldade no momento de fechar um diagnĂłstico.Â
âO diagnĂłstico Ă© puramente clĂnico, Ă© o paciente contando para o seu mĂ©dico o que ele sente e o mĂ©dico reconhecendo os sintomas tĂpicos da fibromialgia. Depois, Ă© importante que se faça um bom exame fĂsico, porque o paciente com fibromialgia pode ter outras doençasâ.Â
Ele reforça que Ă© importante que o mĂ©dico verifique se essas possĂveis outras doenças nĂŁo podem estar contribuindo para a dor que o paciente sente. Por exemplo, que o mĂ©dico saiba distinguir a fibromialgia de outras doenças que podem causar dor articular no corpo, como a artrose.
O mĂ©dico tambĂ©m explica que nĂŁo existem exames especĂficos para fibromialgia. O ideal Ă© que o paciente procure um reumatologista para investigar a possibilidade, ou busque atendimento primĂĄrio onde for possĂvel, como uma Unidade BĂĄsica de SaĂșde.Â
Tratamento estruturado
Em janeiro, atravĂ©s da Lei 15.176/2025, sancionada em julho de 2025 pelo presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva, a fibromialgia passou a ser reconhecida como deficiĂȘncia. A medida permite que pessoas com a doença possam acessar serviços garantidos por lei como:Â
. Cotas em concursos pĂșblicos e seleçÔes de emprego.
. Isenção de IPI, ICMS e IOF na compra de veĂculos adaptados.
. Aposentadoria por invalidez e auxĂlio-doença, mediante avaliação pericial.
. BenefĂcio de Prestação Continuada (BPC), no caso de baixa renda.
. Pensão por morte, em situaçÔes em que a incapacidade para o trabalho for comprovada.
Outra medida foi implementada esse mĂȘs pelo MinistĂ©rio da SaĂșde, um planejamento estruturado para o tratamento de fibromialgia pelo SUS, que visa ampliar o acesso a ajuda qualificada e melhorar a vida de quem convive com a sĂndrome. A cartilha prevĂȘ a capacitação de profissionais, e tambĂ©m um tratamento multidisciplinar, com fisioterapia, apoio psicolĂłgico e terapia ocupacional.Â
A atividade fĂsica constante Ă© tambĂ©m importante aliada, que pode ajudar a fortalecer o corpo e melhorar a qualidade de vida. Para a Sociedade Brasileira de Reumatologia, tratamentos nĂŁo fĂĄrmacos – sem uso de remĂ©dios – sĂŁo tĂŁo importantes para auxiliar o paciente quanto os fĂĄrmacos, que ajudam a regular a percepção de dor.Â
âAlguns pacientes desenvolvem ansiedade e depressĂŁo, provavelmente o mĂ©dico reumatologista precisa do apoio de outros profissionais, seja o psiquiatra, seja o psicĂłlogo, que trabalhem juntos, que conversem, por exemplo, um psiquiatra que converse com o reumato sobre os remĂ©dios, para nĂŁo haver interaçãoâ, completou o Martinez.Â
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*EstagiĂĄria sob supervisĂŁo da jornalista Mariana Tokarnia.
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