Gestão Integrada alerta para retirada de acesso ao aeroporto na obra da Rodovia das Cataratas

Entidade pede que DNIT e DER-PR reavaliem mudanças feitas no projeto original da duplicação, principalmente nos acessos ao aeroporto e ao Parque Nacional

A Gestão Integrada do Turismo de Foz do Iguaçu aguarda uma manifestação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) sobre o pedido de uma reunião técnica para discutir mudanças nas obras de duplicação da BR-469, a Rodovia das Cataratas.

Ofícios encaminhados aos dois departamentos na última sexta-feira (31) solicitam esclarecimentos e a reavaliação da retirada de acessos e retornos que estavam previstos no projeto executivo original. A preocupação aumenta à medida que diferentes trechos da obra entram na fase final de execução.

“À medida que a obra avança e alguns trechos começam a ser entregues, percebemos a falta de elementos previstos no projeto original”, afirma o coordenador da Gestão Integrada do Turismo de Foz do Iguaçu, Fernando Antônio Martin Maye, presidente do Fundo Iguaçu e responsável pela assinatura dos ofícios.

O projeto executivo da duplicação foi custeado pelo Fundo Iguaçu, uma das instituições que compõem a Gestão Integrada. Segundo Maye, sua elaboração envolveu discussões e apresentações aos diferentes setores da sociedade, com sugestões de adaptações para atender tanto à demanda existente quanto ao crescimento futuro da região.

Entre as alterações identificadas está a retirada da alça de acesso ao aeroporto para os veículos que trafegam no sentido Parque Nacional/Aeroporto. Sem a ligação direta, os motoristas precisam seguir em direção ao Centro até o próximo ponto de retorno, percorrendo cerca de cinco quilômetros adicionais para chegar ao terminal.

A retirada do acesso afeta especialmente os turistas que visitam os atrativos da região antes de seguir para o aeroporto e pode agravar os congestionamentos em feriados, períodos de maior movimento e durante grandes eventos realizados nas proximidades. Na avaliação da Gestão Integrada, as alterações também aumentam o tempo de deslocamento e o consumo de combustível, elevam as emissões de poluentes, sobrecarregam a rodovia e dificultam a operação do transporte turístico, de táxis e de motoristas de aplicativo.

“Todo esse tráfego terá que seguir para o mesmo ponto de retorno para conseguir chegar ao aeroporto. Isso aumenta o deslocamento, pode gerar filas e até ampliar o risco de um passageiro perder o voo”, afirma Maye.

Outra estrutura prevista no projeto original, mas que não está sendo executada, é o anel de retorno para os motoristas que trafegam no sentido Centro/Parque Nacional e precisam voltar em direção ao Centro. Sem ele, será necessário prosseguir pela rodovia até o próximo ponto de retorno, ampliando o percurso.

A preocupação também considera a possibilidade de expansão da atividade turística ao longo da rodovia.

“São áreas que poderão receber novos hotéis e atrativos turísticos, o que significa maior circulação de veículos. Quem sair desses empreendimentos em direção ao Centro, ao Paraguai, à Argentina ou à Itaipu terá que percorrer uma distância adicional para fazer o retorno”, explica o coordenador.

Outro ponto levantado é a falta de uma opção de retorno nas proximidades do acesso ao Centro de Visitantes do Parque Nacional do Iguaçu. Como alternativa, a entidade sugere a implantação de uma pequena rotatória ou de outra estrutura que permita aos veículos de turismo seguir diretamente ao parque pelo antigo portão, evitando deslocamentos desnecessários.

A Gestão Integrada reconhece os avanços proporcionados pela duplicação, especialmente em relação à segurança e ao aumento da capacidade da rodovia. A entidade lembra que as três passarelas para pedestres, previstas no projeto executivo custeado pelo Fundo Iguaçu, também haviam sido retiradas durante a execução da obra. Após uma reunião em Brasília, articulada pela Itaipu Binacional, o DNIT atendeu à solicitação e confirmou a construção das estruturas.

“Estamos buscando informações e diálogo para reunir os técnicos e os responsáveis pela obra. Acreditamos que o bom senso vai prevalecer e que será possível incorporar os acessos previstos no projeto original, evitando problemas futuros para a mobilidade e para o turismo”, conclui Maye.

Sobre a Gestão Integrada

A Gestão Integrada do Turismo reúne a Secretaria Municipal de Turismo de Foz do Iguaçu, a Itaipu Binacional, o Itaipu Parquetec, o Visit Iguassu e o Fundo Iguaçu, articulando poder público e iniciativa privada em torno do desenvolvimento do destino.