O Conselho de Desenvolvimento da Região Trinacional do Iguassu (Codetri) reivindica dos governos do Brasil e Paraguai a abertura ampla e imediata da Ponte Internacional da Integração. O pedido é para a tomada de decisões urgentes a fim de destravar o desenvolvimento e assegurar a mobilidade e a segurança viária.
Uma das ações é a entrega de documento às administrações nacionais, assinado por quatro conselhos de desenvolvimento socioeconômico: Ciudad del Este, Foz do Iguaçu, Presidente Franco e Puerto Iguazú. O pedido cita os prejuízos pela subutilização da Ponte da Integração para a região trinacional, um dos principais corredores logísticos e turísticos do Mercado Comum do Sul (Mercosul).
“A limitação do tráfego, com uma ponte concluída há cerca de três anos, compromete o desenvolvimento regional e mantém sobrecarregada a Ponte da Amizade”, frisa o presidente do Codetri, Roni Temp. “A fluidez do trânsito é essencial para o transporte de cargas, o turismo e a rotina dos moradores da fronteira”, complementa.
Entre as reivindicações das cidades da fronteira estão a abertura imediata da Ponte da Integração para veículos leves, vans e ônibus de turismo, a aceleração das obras da ponte sobre o Rio Monday e melhorias de infraestrutura na Perimetral Leste. O documento também defende prioridade para caminhões na nova ponte, especialmente no período noturno.
Leia a íntegra do documento:
O desenvolvimento da região trinacional pede passagem
A riqueza dos países do Mercosul passa, em grande proporção, pela região trinacional, território que congrega Ciudad del Este e Presidente Franco (Paraguai), Foz do Iguaçu (Brasil) e Puerto Iguazú (Argentina). Polo logístico e comercial, é destino turístico internacional, complexo de ensino superior e centro promotor da integração entre as nações.
O PIB (Produto Interno Bruto) da região trinacional é de R$ 82 bilhões, abrangendo apenas 11 municípios dos três países, em um raio de 50 quilômetros, conforme aponta o estudo socioeconômico Foz do Iguaçu em Números.
As relações entre Brasil e Paraguai são basilares. Em 2025, o Porto Seco de Foz do Iguaçu movimentou ao todo US$ 9,8 bilhões, consolidando-se como o maior centro logístico rodoviário da América do Sul. O país vizinho foi o principal parceiro, respondendo por 77,5% do movimento total, com 166.661 caminhões (77.739 na exportação e 88.922 na importação), conforme dados da Receita Federal do Brasil (RFB).
Pela Ponte Internacional da Amizade passam, diariamente, cerca de 43 mil veículos e 93 mil pessoas, segundo a Pesquisa das Pontes Internacionais da Tríplice Fronteira 2024, utilizada por órgãos públicos e entidades da região para o planejamento de ações de infraestrutura, segurança e desenvolvimento.
A região trinacional tem uma longa história de amizade e cooperação, assim como acumula desafios. Em tempos passados, paralisações impeditivas ao fluxo impunham prejuízos humanos e econômicos. A reforma da Ponte da Amizade testou a capacidade de governança compartilhada entre sociedade civil e poder público, exigindo organização e parceria para a otimização do tráfego, com resultados positivos. A pandemia de covid-19, por sua vez, fechou completamente as fronteiras.
Porém, nenhum desses obstáculos é tão incoerente e contraproducente quanto a manutenção da subutilização de uma via internacional já concluída: a Ponte Internacional da Integração. A obra foi considerada 100% finalizada em agosto de 2023, há quase três anos, pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR).
Liberada parcialmente para utilização, a segunda ponte entre Brasil e Paraguai permanece sem cumprir plenamente sua função de contribuir para a fluidez da circulação de veículos e pessoas na região trinacional.
Obstruções e lentidões representam, portanto, um entrave ao desenvolvimento socioeconômico, já que a prosperidade das Três Fronteiras está diretamente associada ao movimento, seja de cargas, que transportam alimentos e insumos; de visitantes, que impulsionam o turismo; ou de moradores fronteiriços em suas trocas cotidianas e permanentes.
Além disso, a configuração atual do fluxo viário mantém sobrecarregada a Ponte da Amizade, exercendo pressão sobre sua estrutura e suscitando preocupações quanto às condições de manutenção e à preservação de sua vida útil com segurança.
Assim sendo, o Codetri (Conselho de Desenvolvimento da Região Trinacional do Iguassu), formado pelos conselhos de desenvolvimento de Ciudad del Este, Foz do Iguaçu, Presidente Franco e Puerto Iguazú, dirige-se, mais uma vez, aos governos do Brasil e do Paraguai para requerer solução urgente aos gargalos fronteiriços, reivindicando:
1) Abertura imediata da Ponte da Integração para veículos leves do trânsito fronteiriço e turístico, bem como para caminhões de pequeno porte que realizam transporte na modalidade de exportação a menor, mediante a execução de obras viárias em Presidente Franco que garantam melhores condições de circulação na cidade.
2) Abertura imediata da Ponte da Integração para vans de turismo e ônibus de transporte de visitantes, os quais poderão utilizar o estacionamento da ANNP (Administración Nacional de Navegación y Puertos), em Presidente Franco, sem necessidade de transitar pela área urbana da cidade. Dessa forma, os turistas poderão utilizar veículos menores para o deslocamento entre esse pátio e os atrativos turísticos e estabelecimentos comerciais.
Caminhões de carga deverão ter prioridade de circulação pela nova ponte no período noturno e tão logo seja autorizada a utilização ampla da estrutura por esse modal.
3) Aceleração das obras da ponte sobre o Rio Monday pelo Governo do Paraguai, com a destinação dos recursos necessários à sua conclusão e a repactuação do cronograma de execução, visando à entrega da obra no menor prazo possível.
4) Adoção, pelo Governo do Brasil, de soluções de infraestrutura para a trafegabilidade plena e segura na Rodovia Perimetral Leste.
Região Trinacional do Iguassu, em 1.º de junho de 2026.
