André Rebouças e Santos Dumont: as raízes da criação do Parque Nacional do Iguaçu

A história do Parque Nacional do Iguaçu começa muito antes de sua criação oficial e passa pela atuação de figuras fundamentais como André Rebouças e Santos Dumont. Visionários em seus tempos, ambos contribuíram para despertar a importância da preservação das belezas naturais da região. Em entrevista, o historiador Micael Alvino da Silva resgata esse contexto e explica como essas ideias evoluíram até a consolidação de um dos principais patrimônios naturais do Brasil.Engenheiro André Rebouças “André Rebouças é um daqueles personagens interessantes e intrigantes da história do Brasil, do Paraná e da nossa região, por assim dizer, tanto pelo que representava em sua época quanto pela forma como pensava o futuro da sociedade. Ele era negro, monarquista e abolicionista, pertencente à classe média brasileira e formado em engenharia. Ao lado do irmão, projetou a estrada do litoral do Paraná e circulou pelo estado entre as décadas de 1860 e 1870”, conta o historiador Micael Alvino da Silva.Micael conta que Rebouças foi o primeiro brasileiro a filosofar, a pensar e a sonhar com um parque nacional, contou também que ele elaborou e publicou em 1876, um pequeno livro. “Nesse livro ele já propunha que deveria haver no Brasil um parque nacional, pelo menos um, a exemplo do parque nacional de Yellowstone nos Estados Unidos, criado quatro anos antes, e naquele ano de 1876 o André Rebouças escreveu um texto sugerindo um parque nacional no Paraná, que pegasse da região de guaíra, nas sete quedas, até as Cataratas do Iguaçu.”O historiador Micael Alvino da Silva explica que a visão de André Rebouças para a região do Iguaçu já trazia uma perspectiva bastante avançada para a época, unindo preservação ambiental e desenvolvimento turístico.“A ideia dele, naquele momento, era que tivéssemos, nessa região, um espaço de preservação do meio ambiente para as gerações futuras e, ao mesmo tempo, um espaço acessível, que pudesse ser visitado por meio de uma estrada de ferro. São essas as explicações que ele apresenta em seu livro, ao mostrar como toda essa região poderia ser conectada a uma atividade ainda incipiente na época, que era o turismo. Se pensarmos bem, a primeira proposição de parque nacional envolvendo a área do Iguaçu já surge com essa visão do turismo como vetor de desenvolvimento regional, como um espaço em que as pessoas pudessem combinar diferentes atividades, como a conservação ambiental e a visitação turística”, destaca.Segundo o historiador, essas ideias eram extremamente inovadoras para 1876. Com base nelas, alguns anos depois, surgiu o primeiro desenho de um parque nacional na região das Cataratas, concluído em 1898 por Edmundo de Barros.Alberto Santos Dumont A passagem de Alberto Santos Dumont pelas Cataratas do Iguaçu foi um marco importante para a preservação da região. Segundo o historiador Micael Alvino da Silva, a visita ocorreu durante uma viagem pela América do Sul.“Ele estava em um evento no Chile, seguiu para Buenos Aires e decidiu conhecer as Cataratas. Na época, o acesso era feito de barco até o lado argentino”, explica. Ao saberem da presença do inventor, lideranças locais o convenceram a visitar o lado brasileiro. “O prefeito Jorge Schimmelpfeng e Frederico Engel, dono do Hotel Brasil, o trouxeram para Foz do Iguaçu. Ele se hospedou no hotel e depois seguiu para uma filial nas Cataratas, que chamou de ‘casinha’”, relata.Mais do que a visita, Santos Dumont teve papel decisivo na valorização do local. “Ele mudou seus planos, foi até Curitiba e teve uma audiência com o governador Afonso Camargo, que se comprometeu a fazer algo pelos Saltos do Iguaçu”, destaca.Pouco tempo depois, vieram os primeiros resultados. “Três meses depois ocorreu a desapropriação da área, marcando o início do que viria a ser o Parque Nacional do Iguaçu”, completa o historiador.Em 24 de abril de 2026, completam-se 110 anos dessa passagem, que ajudou a impulsionar a preservação de um dos principais patrimônios naturais do Brasil. O presidente do Visit Iguassu, Wolney Biesdorf, fala sobre o tema: “O Parque Nacional do Iguaçu é resultado de uma visão que atravessou gerações. Resgatar a história de nomes como Rebouças e Santos Dumont reforça o quanto o planejamento e a valorização do nosso patrimônio natural são essenciais para o desenvolvimento sustentável do destino.”

A história do Parque Nacional do Iguaçu começa muito antes de sua criação oficial e passa pela atuação de figuras fundamentais como André Rebouças e Santos Dumont. Visionários em seus tempos, ambos contribuíram para despertar a importância da preservação das belezas naturais da região. Em entrevista, o historiador Micael Alvino da Silva resgata esse contexto e explica como essas ideias evoluíram até a consolidação de um dos principais patrimônios naturais do Brasil.

Engenheiro André Rebouças
“André Rebouças é um daqueles personagens interessantes e intrigantes da história do Brasil, do Paraná e da nossa região, por assim dizer, tanto pelo que representava em sua época quanto pela forma como pensava o futuro da sociedade. Ele era negro, monarquista e abolicionista, pertencente à classe média brasileira e formado em engenharia. Ao lado do irmão, projetou a estrada do litoral do Paraná e circulou pelo estado entre as décadas de 1860 e 1870”, conta o historiador Micael Alvino da Silva.

Micael conta que Rebouças foi o primeiro brasileiro a filosofar, a pensar e a sonhar com um parque nacional, contou também que ele elaborou e publicou em 1876, um pequeno livro. “Nesse livro ele já propunha que deveria haver no Brasil um parque nacional, pelo menos um, a exemplo do parque nacional de Yellowstone nos Estados Unidos, criado quatro anos antes, e naquele ano de 1876 o André Rebouças escreveu um texto sugerindo um parque nacional no Paraná, que pegasse da região de guaíra, nas sete quedas, até as Cataratas do Iguaçu.”

O historiador Micael Alvino da Silva explica que a visão de André Rebouças para a região do Iguaçu já trazia uma perspectiva bastante avançada para a época, unindo preservação ambiental e desenvolvimento turístico.

“A ideia dele, naquele momento, era que tivéssemos, nessa região, um espaço de preservação do meio ambiente para as gerações futuras e, ao mesmo tempo, um espaço acessível, que pudesse ser visitado por meio de uma estrada de ferro. São essas as explicações que ele apresenta em seu livro, ao mostrar como toda essa região poderia ser conectada a uma atividade ainda incipiente na época, que era o turismo. Se pensarmos bem, a primeira proposição de parque nacional envolvendo a área do Iguaçu já surge com essa visão do turismo como vetor de desenvolvimento regional, como um espaço em que as pessoas pudessem combinar diferentes atividades, como a conservação ambiental e a visitação turística”, destaca.

Segundo o historiador, essas ideias eram extremamente inovadoras para 1876. Com base nelas, alguns anos depois, surgiu o primeiro desenho de um parque nacional na região das Cataratas, concluído em 1898 por Edmundo de Barros.

Alberto Santos Dumont
A passagem de Alberto Santos Dumont pelas Cataratas do Iguaçu foi um marco importante para a preservação da região. Segundo o historiador Micael Alvino da Silva, a visita ocorreu durante uma viagem pela América do Sul.

“Ele estava em um evento no Chile, seguiu para Buenos Aires e decidiu conhecer as Cataratas. Na época, o acesso era feito de barco até o lado argentino”, explica.
Ao saberem da presença do inventor, lideranças locais o convenceram a visitar o lado brasileiro. “O prefeito Jorge Schimmelpfeng e Frederico Engel, dono do Hotel Brasil, o trouxeram para Foz do Iguaçu. Ele se hospedou no hotel e depois seguiu para uma filial nas Cataratas, que chamou de ‘casinha’”, relata.

Mais do que a visita, Santos Dumont teve papel decisivo na valorização do local. “Ele mudou seus planos, foi até Curitiba e teve uma audiência com o governador Afonso Camargo, que se comprometeu a fazer algo pelos Saltos do Iguaçu”, destaca.

Pouco tempo depois, vieram os primeiros resultados. “Três meses depois ocorreu a desapropriação da área, marcando o início do que viria a ser o Parque Nacional do Iguaçu”, completa o historiador.

Em 24 de abril de 2026, completam-se 110 anos dessa passagem, que ajudou a impulsionar a preservação de um dos principais patrimônios naturais do Brasil.
O presidente do Visit Iguassu, Wolney Biesdorf, fala sobre o tema: “O Parque Nacional do Iguaçu é resultado de uma visão que atravessou gerações. Resgatar a história de nomes como Rebouças e Santos Dumont reforça o quanto o planejamento e a valorização do nosso patrimônio natural são essenciais para o desenvolvimento sustentável do destino.”