Empresário Jorbel Griebeler conta sua história de empreendedorismo em roda de conversa com jornalistas de Foz do Iguaçu

A história do desenvolvimento econômico e turístico da Tríplice Fronteira — região que conecta Brasil, Paraguai e Argentina, guarda capítulos marcados por ousadia, visão de mercado e resiliência. Entre os personagens que lideraram a recente modernização desse cenário está o empresário Jorbel Griebeler. À frente do Grupo Cellshop e de marcas internacionais em vertiginosa ascensão como Joog, Hydrant e Choice Selection, Jorbel conversou durante mais de duas horas com imprensa na sede da Loumar Turismo, no centro de Foz do Iguaçu.

O evento foi marcado por momentos de grande emoção, com o empresário posando para fotografias, respondendo a todas as perguntas dos profissionais de imprensa, se emocionou ao recordar suas origens. Ao lado de lideranças locais do turismo como Marcelo Valente, diretor da Loumar, o empresário relembrou com riqueza de detalhes a sua jornada pessoal e profissional. Do trabalho como vendedor ambulante de picolés no bairro Três Lagoas à posição de um dos maiores geradores de empregos da fronteira, Jorbel apresentou um raio-X completo de sua vida. Ele compartilhou bastidores do mercado internacional e revelou investimentos multimilionários que prometem transformar a experiência de compras e entretenimento na região.

da infância itinerante e picolés no bairro Três Lagoas ao primeiro emprego

A história de vida de Jorbel Griebeler é fundamentada no trabalho precoce e no apoio familiar. Nascido no pequeno município de Planalto, no interior do Paraná, ele é filho de pai pedreiro e mãe dona de casa. Devido à natureza da profissão do pai, que assumia contratos de construção civil em diferentes cidades, a família viveu em constante transição por anos. A mudança definitiva para Foz do Iguaçu ocorreu quando Jorbel tinha 11 anos, fixando residência no bairro Três Lagoas.

 Enquanto a mãe conseguia uma oportunidade como auxiliar de enfermagem na antiga Santa Casa, o jovem buscou formas de contribuir com a renda familiar. Nessa fase, o garoto desempenhou diversas funções na comunidade local. Atuou como vendedor ambulante de picolés pelas ruas do bairro Três Lagoas, atendente na cantina do colégio onde estudava, auxiliar em oficina mecânica e tapeçaria. Também trabalhou como atendente na mercearia do seu Toninho, estabelecimento tradicional na região.

Aos 16 anos, veio a primeira oportunidade formal no comércio. Jorbel foi contratado como vendedor na loja de calçados ‘Calce Bem’, localizada no bairro Vila Portes. Lá, ajudou na mudança física para a nova sede e atuou por pouco mais de um ano no atendimento direto ao público.

A travessia da Ponte da Amizade e o salário que mudou tudo

O ponto de virada na vida do jovem vendedor aconteceu de forma despretensiosa, dentro de um ônibus urbano na linha Centro-Três Lagoas. Conversando com amigos sobre um veículo Fusca adaptado que passou ao lado do coletivo, cujo motorista trabalhava no Paraguai, decidiram buscar emprego no país vizinho. Ao desembarcar em Ciudad del Este, em frente ao tradicional shopping Monalisa, Jorbel entrou na primeira loja que encontrou no quinto piso do Jebai Center: a ‘Toca Fita Center’.

Atendido pelo proprietário, um comerciante árabe chamado Sr. Nasser, o jovem pediu uma oportunidade de trabalho. Questionado se entendia de som automotivo, foi sincero ao dizer que só sabia vender calçados, mas prometeu aprender rápido. Sensibilizado pelo empenho, o empresário ofereceu o emprego com um salário inicial de 150 dólares por mês. “O dólar estava na cotação de um para um, então, no Brasil, o salário mínimo comercial girava em torno de 72 dólares”, relembrou Jorbel durante a coletiva, emocionado. “Quando ele falou em 150 dólares, eu me senti rico e nunca mais voltei para pegar minha carteira de trabalho no Brasil.”  

Durante um ano na Toca Fita Center, especializou-se no mercado de som automotivo e eletrônicos. O perfil dedicado chamou a atenção da Pioneer Internacional, onde foi contratado com proposta comercial expressiva. Focado em poupar recursos, adotou uma rotina austera e adquiriu seu primeiro veículo aos 18 anos, além de construir sua primeira casa própria.

A criação da Cellshop e a consagração no mercado

No final da década de 1990 e início dos anos 2000, atuou na gestão do ‘Mercadão do Celular’, consolidando uma sólida rede de contatos. Em 2005, sentindo-se preparado para empreender de forma autônoma, abriu um escritório de apenas 2 metros quadrados no Shopping Vendome. A operação inicial focava na venda de acessórios para telefonia celular. Com o crescimento da demanda por aparelhos importados, o negócio expandiu-se para uma loja física na Galeria Jebai Center.

Em 2016, vislumbrando a necessidade de oferecer uma estrutura de compras moderna e confortável, Jorbel deu início ao projeto da Cellshop. O que começou como uma grande loja de eletrônicos transformou-se em uma completa loja de departamentos. Apesar da expansão, o comércio enfrentou o desafio histórico da pandemia de Covid-19 em 2020. Durante os oito meses de fronteiras fechadas, o grupo manteve a gestão fiscal equilibrada e superou o período sem dívidas. Com a reabertura, Jorbel adotou uma estratégia de forte presença digital e comunicação humanizada.

O mega complexo de 60 mil metros quadrados e planos futuros

Atualmente, o Grupo Cellshop soma cerca de 1.300 colaboradores diretos distribuídos entre unidades no Paraguai e no Brasil. O principal projeto em execução é a construção de um mega complexo comercial e logístico em Ciudad del Este, com quase 60 mil metros quadrados de área construída. A estrutura abrigará um centro de distribuição, praça gastronômica e um centro de eventos multiuso com inauguração prevista para 2027.

Além disso, o grupo celebra o desempenho da unidade em Pedro Juan Caballero, a expansão de lojas de vinhos em Assunção, e o sucesso das marcas próprias Joog e Hydrant. Prestes a lançar um livro autobiográfico, Jorbel encerrou o encontro reforçando a importância da ética comercial, do turismo transparente e do fortalecimento conjunto da Tríplice Fronteira.

Texto: Silvana Canal
Fotos: Divulgação

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