Embaixador da Feira do Livro de Foz do Iguaçu lê 208 obras por ano – Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu


O Embaixador Honorífico da 21ª Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaç – Festival Literário, Waldson de Almeida Dias, lê nada menos do que quatro livros por semana (três de romance, contos, crônicas, biografias e outros temas e o último exclusivamente de poesia). Apaixonado por livros desde criança, Waldson lê por semana mais do que a média de leitura anual do brasileiro (3,96 livros por ano, conforme a última pesquisa Retratos da leitura no Brasil – 6ª edição, publicada em 2024). Considerando quatro livros por semana, são 208 num ano, aproximadamente 52 vezes a média do brasileiro.

Esta paixão pela leitura surgiu logo que ele aprendeu a ler, aos 6 anos, ensinado em casa pela tia professora. Em seu pequeno quarto na casa que a família possuía no município de Canguçu, no Rio Grande do Sul, Waldson lia histórias em quadrinhos e livros infantis. O que mais o impressionou foi o Pequeno Príncipe, do autor Antoine de Saint-Exupéry. Ali, abria-se uma janela para o mundo. Não haveria mais fronteiras. Depois das leituras, voltava-se para o pequeno quarto e sonhava com viagens para desbravar as cidades, e paisagens descritas nos livros.

A primeira cidade que ele quis conhecer foi Salvador, na Bahia, cenário do livro “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, que retrata a vida de menores abandonados que se abrigam num trapiche e sobrevivem por meio de pequenos furtos. A obra é voltada ao público adulto ou adolescente, mas Waldson leu quando tinha apenas 7 anos. Isso mesmo: 7 anos de idade.

Da biblioteca da escola estadual, onde estudou os primeiros anos, leu todo o acervo. Felizmente, seu pai, que era político, conseguiu uma bolsa de estudos para ele frequentar o Colégio Franciscano Nossa Senhora Aparecida, o “colégio das freiras”. Ali, aos 9 e 10 anos, conheceu autores estrangeiros como Júlio Verne, considerado o inventor do gênero de ficção científica, Alexandre Dumas, pai, autor de Os Três Mosqueteiros, romance histórico com as aventuras de Athos, Porthos, Aramis e Dartagnan, e O Conde de Monte Cristo, entre muitos outros, estrangeiros e brasileiros. “Os livros então me levam de Salvador, no Brasil (referindo-se à obra de Jorge Amado), que eu queria muito conhecer (e visitou algumas vezes, já adulto), e me levam para qualquer lugar”, diz.

Na biblioteca, era vedado o acesso de crianças muito novas a livros destinados a faixas etárias mais elevadas. Mas, como ele já tinha devorado tudo o que seria permitido para sua idade, Waldson conseguiu que as freiras responsáveis pela biblioteca permitissem que fosse além na leitura própria da idade, “desde que discretamente”, brinca.

Com as leituras diárias, seu nível de redação melhorou rapidamente e ele começou a ganhar concursos da escola. Até mesmo com premiações como lanche na cantina da escola de graça. Alguns anos mais tarde, em Pelotas, participou do 1º Concurso de Poesias Mário Quintana e ficou em primeiro lugar. O prêmio foi de 500 cruzeiros, um bom dinheiro para a época (“deu pra comprar calça nova, comprar disco”, se diverte). Mas do que ele mais gostou foi ter recebido o prêmio das mãos do próprio Mário Quintana (1906-1994), poeta porto-alegrense que admirava. Foi dele, também, que ganhou o primeiro livro autografado.

Hoje, tem dezenas de livros com autógrafos dos autores, que fazem parte de sua biblioteca particular. São mais de 3.500 volumes, número que aumenta sempre. Sem contar os cerca de 2 mil livros que perdeu numa enchente, em 2006, quando já estava em Foz do Iguaçu. Os livros estavam numa casa que a família mantinha nas praias de água doce de São Lourenço do Sul, no Rio Grande do Sul. Waldson havia trazido metade dos livros para Foz; os outros 2 mil ficaram em uma suíte destinada a ele pelo pai. A enchente também provocou outros prejuízos à família, perdas que, vez por outra, ainda faziam o pai chorar ao telefonar para o filho.

Mala cheia

Waldson visita sempre feiras de livros importantes, no Brasil e no exterior. Não por acaso, foi ele um dos criadores da Feira do Livro de Foz do Iguaçu, em 2005, promovida pela Fundação Cultural, que este ano será entre 3 e 6 de setembro, com homenagem merecida ao gaúcho que está em Foz desde 2004. Na primeira edição, um registro da época identifica Waldson Dias como coordenador da Editares.

Quando voltou da última Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), principal festival literário do Brasil, em julho deste ano, Waldson estava carregado de livros, 63 deles autografados pelos autores, que encontrou nas ruas e bares da cidade. Paraty recebeu na edição deste ano 40 mil visitantes, quase o total de sua população, e o maior público da história do festival..

Os livros vieram numa mala à parte, que a atendente da empresa aérea queria despachar. Ele não deixou. Foi este o diálogo entre os dois, reproduzido por Waldson em sua conta no Instagram.

– Desculpe, senhorita, mas essa mala vai comigo ao alcance de minha mão e meu olhar!
– O senhor pode pesar a mala, por favor?
– Impossível, senhorita, não existe neste planeta aparelho analógico ou digital capaz de mencionar o peso dessa mala!
– Posso pelo menos saber o que tem dentro dessa mala e da mochila?
– Pessoas! Gente! Seres humanos!
(Nesse momento o rosto da atendente da companhia aérea ficou pálido).
– Senhor, vou ter que chamar a segurança se não abrir a mala!
– Calma, senhorita, todos que estão dentro dessa mala pagaram suas passagens com ideias, conhecimento, emoção, inteligência…
– Ok, senhor, é por sua responsabilidade e risco, mas vou avisar a equipe de segurança!
– Sem problemas, senhorita, mas de preferência diga que tragam interprete que fale a linguagem humana!
– Qual idioma, senhor?
– O idioma da Poesia, pois a próxima revolução será poética, tal como nos ensina Mestre Marcelino (referindo-se ao escritor pernambucano Marcelino Freire, considerado uma das vozes mais originais da literatura brasileira contemporânea.

Esta paixão por livros ele resume numa frase: “Eu do livro não me livro”, que vem de um poema do mineiro Silas Fonseca, poeta, escritor, compositor e contador de causos. O poema brinca com o duplo sentido da palavra livrar. “Eu do livro não me livro / nem quero me livrar / se do livro eu me livro /como livre vou ficar?”


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Fonte: LEILANE DALA BENETTA

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