O debate sobre o Programa Tratamento Fora de Domicílio (TFD), realizado na manhã desta terça-feira (18/08), na Câmara de Foz, trouxe relatos de usuários do sistema, questões sobre a casa de apoio aos pacientes, a fiscalização do Executivo e a busca de recursos de outros entes para desonerar o município. O Tratamento Fora de Domicílio é um programa estadual e municipal que oferece apoio logístico a pacientes que necessitam de atendimentos especializados de saúde não disponíveis em sua cidade de origem.
“Queremos entender as angústias, as demandas, esperamos que todos possam entender o que é o programa, e também entender também o andamento deste serviço”, disse Jaqueline Tontini, secretária adjunta da Saúde do Município representando o Poder Executivo.
Esclarecimentos do Executivo sobre o programa
A Diretora de Atenção Especializada em Saúde Mental da Secretária Municipal de Saúde, Sheila Paião, explicou do que se trata o serviço, esclarecendo o seu objetivo, os serviços incluídos, os fluxos de deslocamento, as frotas de transporte, a hospedagem, as especialidades atendidas, a rede de prestadores e a gestão administrativa do TFD. Atualmente, há mais de 8 mil pacientes ativos no programa e mais de 10 mil pacientes transportados no período entre janeiro a julho de 2026.
Relatos dos pacientes do serviço
Após a apresentação, vários usuários do Programa Tratamento Fora de Domicílio (TFD), relataram suas experiências, como Neusa de Fátima Wilck, “Pedimos que a casa de apoio tenha acessibilidade, van adaptada; o que mais os pacientes trazem até a gente é essa questão. Eu raramente fico em casa de apoio, pelo tanto que eu já sofri. São 29 anos que já faço tratamento, fiquei 3 anos e 2 meses sem andar. Não quero que as pessoas sofram, procurem ouvir os pacientes.”
Maria Ivone Dias, mãe e acompanhante de um paciente usuário do programa, compartilhou as dificuldades que passa ao procurar tratamento para o filho.“Sou mãe solo de uma pessoa com paralisia cerebral. Fui diversas vezes na ouvidoria, e não me senti ouvida, desde sempre eu sofro e agora não tenho medo de debater sobre isso. Em diversas casas de apoio passei por situações deploráveis com meu filho, tanto no transporte, quanto em acomodação, pelo meu filho ter comorbidades.”
Maria Vanceta fez um comentário, reforçando os relatos de outros usuários. “Sou usuária do TFD, desde 2019. Viajamos 12 horas e chegamos muito cansados devido às condições precárias do transporte. Na minha hospedagem, fui bem tratada, mas percebi que um cadeirante teria muita dificuldade na casa, pela falta de acessibilidade.”
Rosane Mezzalira, além de comentar sobre o programa, trouxe um relato de uma conhecida. “Estou aqui como usuária e represento uma mãe de uma pessoa autista, compartilhando o relato dela. Estou expondo aqui, vários problemas identificados na casa, como corredores muito estreitos, lençóis molhados, ambulâncias que não têm acessibilidade para cadeirantes e também banheiros em situações precárias.”
Esclarecimentos das autoridades presentes
Adolfo Cardoso, Supervisor do TFD da Diretoria de Atenção Especializada, comentou sobre a situação após ouvir os relatos: “Sempre que posso respondo as reclamações. Quando cheguei ao TFD, me passaram a situação da Maria Ivone, e tentamos trabalhar do melhor jeito possível. Eu não estaria assumindo o cargo de gestão, se não fosse de meu interesse fazer o serviço humano. Tem muitas coisas que me impedem de realizar exatamente os pedidos que chegam a mim, o contrato não nos permite em muitas coisas.
O representante da Casa Nona Cecília, Adriano da Silva, rebateu os relatos de algumas usuárias do programa, explicando mais a fundo a situação sob a visão do alojamento.
Osmar José da Silva, Coordenador do Transporte Sanitário da Secretária da Saúde, em sua fala, fez o seguinte pedido: “Peço que a Casa Nona Cecília possa tirar um minuto do seu dia para acolher os relatos dos usuários, relatos que cortam o coração. Acredito que sempre pode ser feito melhor. Agradeço a todos pelas exposições e quero falar que sempre que precisarem contar com a gente, não se acanhem.”
Sheila Paião, em suas considerações concluiu com as seguintes palavras.
“Ouvimos todas as partes e baseado nas leis, digo às usuárias que as acolhemos e enfatizo que após tudo que foi exposto, ainda assim, a Casa Nona Cecília é um serviço de qualidade, e que o TFD vai além de uma casa de apoio. Agradeço a todos os presentes pela transparência, isso ajuda a nos trazer soluções.”
“Estamos em andamento para comprar vários novos equipamentos para o setor da saúde, tanto para o TFD, quanto para outros estabelecimentos. É importante entendermos que além de funcionários,somos usuários e queremos que funcione, tanto quanto vocês”, comentou Fabrício Leonardo, Coordenador Geral do SAMU.
Jayme Carrielo, deu suas considerações ao público. “Além de diretor de Atenção às Urgências e Emergência da Secretária de Saúde, sou enfermeiro, e eu via essas dificuldades no dia a dia. Queremos que o Estado entenda que além de recursos, precisamos de visibilidade e que somos uma cidade de fronteira com nossas particularidades.”
