A arte muda tudo. Quando se encontra com a tecnologia, transforma também a maneira de aprender. Foi essa combinação que levou estudantes do Colégio Estadual Integral Professor Homero Baptista de Barros, em Curitiba, a criar esculturas interativas apresentadas nesta segunda-feira (29), durante a mostra de encerramento do projeto Engenhoka, iniciativa do Instituto Burburinho Cultural, do Rio de Janeiro. Ao longo dos últimos meses, cerca de 60 alunos do 1º ano do Ensino Médio participaram de oficinas que integraram robótica educacional, cultura maker, arte e tecnologia, transformando ideias em projetos concretos.
Entre as criações apresentadas estavam uma turbina eólica construída com papelão, garrafas PET e sensores eletrônicos e um robô inspirado no universo dos action figures, desenvolvido com papelão, impressão 3D, LEDs e componentes eletrônicos. Mais do que o resultado final, os projetos revelaram o desenvolvimento da criatividade, do raciocínio lógico e da capacidade de resolver problemas.
“O principal objetivo do Engenhoka é trabalhar a imaginação dos alunos, permitindo que eles construam uma arte viva, que se movimenta, unindo criatividade, tecnologia e robótica. A arte muda tudo e, junto com a tecnologia, muda muito mais”, resume o produtor executivo do projeto, Fabrício Ligiero.
Para a estudante Rafaelly Nogueira Martins, de 16 anos, a experiência deixou uma lição que vai além do conhecimento técnico. “A gente aprende que nada é impossível. Fazemos com o que temos, mesmo quando os recursos são limitados”, conta. Seu grupo desenvolveu uma turbina eólica acionada por sensor eletrônico para demonstrar o funcionamento da geração de energia.
Já o estudante Wendel Willian de Oliveira, de 14 anos, teve seu primeiro contato com robótica e impressão 3D durante o projeto. “Aprendi que, com força e dedicação, a gente consegue chegar onde quer”, afirma.
Segundo a presidente do Instituto Burburinho Cultural, Priscila Seixas, o Engenhoka foi criado para fortalecer o ensino da arte e aproximar os estudantes da cultura digital. “A tecnologia entra como meio, não como fim. Criamos um estúdio maker para que professores e alunos desenvolvam criatividade, inovação e novas formas de aprender.”

“Hoje os estudantes vivem cercados pela tecnologia, mas isso não significa que tenham acesso à cultura digital dentro da escola. Muitas instituições até possuem computadores ou equipamentos de robótica, mas ainda faltam metodologias para transformar esses recursos em aprendizagem. O Engenhoka nasce justamente para aproximar arte, tecnologia e educação de forma integrada”, explica.
Uma nova forma de aprender
Além da formação dos estudantes, o projeto deixa para a escola um estúdio maker permanente, equipado com impressora 3D, canetas 3D, mobiliário, materiais pedagógicos e livros, permitindo a continuidade das atividades. Mais do que equipamentos, a iniciativa pretende estimular uma nova forma de ensinar. “O melhor legado é quando os professores passam a enxergar aquele espaço como uma ferramenta para integrar arte, matemática, ciência e tecnologia”, afirma Priscila.

Iniciado em março, o projeto proporcionou aos estudantes uma imersão em robótica educacional, cultura maker, arte e tecnologia. Durante a formação, eles participaram de oficinas práticas conduzidas por instrutores e monitores especializados, que estimularam a criatividade, a experimentação e a resolução de problemas. Por meio de desafios e atividades colaborativas, exploraram conceitos de robótica educacional integrados a diferentes linguagens artísticas.
Quem acompanha essa transformação diariamente é a própria escola. Para o diretor da escola, Valdemar Busanello Junior, o projeto amplia a visão dos estudantes sobre as possibilidades da educação e desperta talentos. “Esse laboratório de criação faz com que eles descubram habilidades que nem imaginavam possuir. Eles entendem que arte e robótica caminham juntas e que criatividade também faz parte da formação para o mercado de trabalho”, destaca.
Esta é a segunda edição do Engenhoka realizada na escola, que mantém parceria com o Instituto Burburinho Cultural desde 2023. Nesse período, a instituição também recebeu o Projeto Arco-Íris, que ofereceu oficinas de grafite aos estudantes e transformou os muros da escola em verdadeiras galerias a céu aberto. Em 2025, a escola recebeu o Arena Viva, projeto voltado ao teatro, arte e educação, seguido pelo Engenhoka, fortalecendo uma proposta pedagógica que integra cultura, tecnologia e inovação.
Realizado por meio da Lei Rouanet, o Engenhoka é promovido pelo Instituto Burburinho Cultural e pelo Ministério da Cultura, com patrocínio do Grupo Boticário, Trident Energy, ExxonMobil Brasil, Google, Wilson Sons, NTS (Nova Transportadora do Sudeste S/A), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e SQ Química.
Escolas contempladas

Além do Colégio Estadual Integral Professor Homero Baptista de Barros, outras sete escolas dos estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul foram contempladas nesta segunda edição do projeto.
Sobre o Instituto Burburinho Cultural
Sediado no Rio de Janeiro, o Instituto Burburinho Cultural reúne colaboradores em diversas regiões do Brasil e também no exterior. Além do Engenhoka, desenvolve projetos como Criar Jogos, Projeto Arco-Íris, Arena Viva, Futuro Queer e Pescando Tradições.
Viabilizado por meio da Lei Rouanet, o Engenhoka conta com patrocínio do Grupo Boticário, Trident Energy, ExxonMobil Brasil, Google, Wilson Sons, NTS (Nova Transportadora do Sudeste S/A), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e SQ Química.
A iniciativa é realizada pelo Instituto Burburinho Cultural e pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal.
