Liderança feminina cresce nas empresas e transforma a economia brasileira

No Dia Internacional da Mulher, histórias de empresárias mostram como mulheres impulsionam inovação, gestão e desenvolvimento em setores como turismo, contabilidade e indústria.

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, reforça uma discussão cada vez mais presente no mundo corporativo: o avanço da liderança feminina nas empresas e o impacto direto das mulheres na economia brasileira. Mais do que um símbolo de igualdade, a data evidencia a presença crescente de mulheres na gestão de negócios, na geração de empregos e na construção de modelos empresariais mais humanos e inovadores.

Segundo levantamento do Sebrae, com base em dados da PNAD Contínua do IBGE, as mulheres representam cerca de 34% dos empreendedores no Brasil, somando mais de 10 milhões de donas de negócios no país.

Em segmentos ligados ao turismo sustentável e ao ecoturismo, a presença feminina é ainda mais expressiva. Dados citados pela Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABETA) indicam que 44% dos empreendedores desse nicho são mulheres, evidenciando o protagonismo feminino em projetos que combinam hospitalidade, preservação ambiental e desenvolvimento social.

Esse movimento também se reflete no comportamento do mercado. Estudos sobre turismo sustentável analisados pela Organização Mundial do Turismo (OMT/UN Tourism) indicam que cerca de 70% dos viajantes que priorizam destinos e experiências sustentáveis são mulheres. A pesquisa aponta que elas demonstram maior preocupação com o impacto ambiental das viagens, valorizam experiências culturais autênticas e iniciativas que geram benefícios para comunidades locais. O dado reforça que, além de liderarem negócios no setor, as mulheres também influenciam diretamente as tendências de consumo e o desenvolvimento de novos produtos turísticos.

No Paraná, um dos exemplos mais claros dessa transformação está em Foz do Iguaçu, um dos principais destinos turísticos do Brasil. Em 2024, cerca de 70% das novas vagas criadas no setor turístico da cidade foram ocupadas por mulheres, fortalecendo a presença feminina em áreas estratégicas como gestão, atendimento e inovação.

Entre as lideranças que simbolizam esse movimento está a empresária Danielle Morales, que assumiu a direção da Operadora FRT ainda muito jovem, pouco antes de completar 30 anos. O desafio profissional coincidiu com um momento intenso da vida pessoal: ela era mãe de uma criança de quatro anos e de um bebê de apenas 15 dias.

Desde então, sua trajetória é marcada por disciplina e pela busca constante de equilíbrio entre carreira, maternidade e vida pessoal. “A liderança feminina não deve ser romantizada. Ela exige sabedoria, disciplina e muitas renúncias. Mas também acredito profundamente na capacidade da mulher de encontrar caminhos, superar limites e seguir construindo. Sou muito grata a Deus por tudo o que conquistei até aqui e por reconhecer que cada passo da minha jornada foi guiado por Ele”, afirma Danielle.

Avanços e desafios para as mulheres no mercado

A presença feminina também cresce em outros setores da economia. Na indústria, por exemplo, o aumento no registro de mulheres em funções industriais foi 6,8% maior do que o crescimento entre homens em 2024, evidenciando uma mudança de paradigma em áreas historicamente masculinas.

Um exemplo de mulher na liderança empresarial é a contadora Elizangela de Paula Kuhn, que deu continuidade à empresa familiar De Paula Contadores, fundada em 1970 em Foz do Iguaçu. Sob sua gestão, o escritório se consolidou como uma referência no setor contábil e estratégico.

Hoje, a empresa reúne mais de 100 profissionais, sendo 64% mulheres, e atende cerca de 800 empresas com soluções contábeis e consultorias voltadas ao crescimento e à gestão inteligente dos negócios. Além da atuação empresarial, Elizangela também se dedica à formação e apoio de empreendedores, promovendo palestras, workshops e imersões voltadas ao fortalecimento da gestão nas empresas. “Acredito em uma gestão baseada em pessoas capacitadas e comprometidas. Nosso time forte nos permite atender cada cliente de forma próxima e estratégica”, destaca a empresária.

Atualmente, ela também preside o GBrasil, considerado o maior grupo de empresas contábeis do país e, em 30 anos, Elizangela foi a primeira mulher a assumir a presidência — posição que reforça como a liderança feminina vem conquistando espaço em setores tradicionalmente dominados por homens.

A busca pelo equilíbrio no mercado

Mesmo com avanços significativos, os desafios ainda persistem. A diferença salarial entre homens e mulheres continua em torno de 20%, mesmo quando ambos ocupam cargos com responsabilidades semelhantes. Além disso, a presença feminina em posições de alta liderança, como diretorias e presidências, ainda busca maior equilíbrio.

Ainda assim, histórias como as de Danielle Morales e Elizangela de Paula Kuhn demonstram que o caminho já está em transformação. Cada nova mulher à frente de uma empresa não representa apenas uma conquista individual, mas também um avanço coletivo rumo a um mercado mais diverso, inovador e equilibrado.

Redação: Silvana Canal
Foto de capa: Ilustrativa
Fotos do texto: Acervo pessoal das entrevistadas