O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira (10) pela suspensão total da ação penal sobre a trama golpista no que se refere ao deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), atendendo a um pedido da defesa do parlamentar. ![]()
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Ramagem jå teve parte da ação penal contra si suspensa por decisão da Cùmara dos Deputados. Foi aplicado ao caso a proteção constitucional conferida aos parlamentares por atos praticados durante o mandato.
Em março, a Primeira Turma do Supremo homologou a decisĂŁo da CĂąmara, estabelecendo a suspensĂŁo do processo em relação a dois crimes, entre os cinco imputados pela Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR), que teriam sido praticados apĂłs a diplomação como deputado.Â
Na ocasiĂŁo, Fux votou pela suspensĂŁo parcial, mas agora mudou de opiniĂŁo, passando a votar pela âsuspensĂŁo in totum [no todo]â do processo em relação a Ramagem.Â
O ministro explicou a mudança devido a um entendimento mais profundo sobre o crime de organização criminosa.Â
âEstamos no caso da organização criminosa diante de um Ășnico crime que se prorrogou no tempo. O crime de organização criminosa é um sĂł. Seja no momento anterior ou posterior do rĂ©u, Alexandre Ramagem. Por essa razĂŁo, eu voto pela extensĂŁo dos efeitos da decisĂŁo desta Turma para suspender a ação penal em relação a esse rĂ©uâ, disse Fux.Â
Ramagem foi acusado pela PGR de ter instrumentalizado a AgĂȘncia Brasileira de InteligĂȘncia (Abin), ĂłrgĂŁo que dirigiu durante o mandato de Bolsonaro. Pela acusação, ele teria monitorado adversĂĄrios polĂticos do ex-presidente e tambĂ©m atuado para sustentar a narrativa de fraude nas eleiçÔes.Â
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Julgamento
O ministro Ă© o terceiro a votar no caso, sendo o primeiro a divergir sobre questĂ”es preliminares levantadas pelas defesas e que podem anular o processo.Â
Na terça (8), os ministros Alexandre de Moraes, relator da ação penal, e o ministro FlĂĄvio Dino rejeitaram todas as questĂ”es preliminares e votaram pela condenação de todos os oito rĂ©us pelos cinco crimes imputados pela Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR).Â
Nesta quarta, a Primeira Turma do Supremo retomou o julgamento, iniciado em 2 de setembro, que pode condenar Bolsonaro e mais sete aliados por uma trama golpista que teria atuado para reverter o resultado das eleiçÔes de 2022.Â
O grupo faz parte do nĂșcleo crucial da denĂșncia apresentada pela PGR e é formado pelas principais cabeças do complĂŽ.Â
O julgamento começou na semana passada, quando foram ouvidas as sustentaçÔes das defesas do ex-presidente e dos demais acusados, alĂ©m da manifestação do procurador-geral da RepĂșblica, Paulo Gonet, favorĂĄvel Ă condenação de todos os rĂ©us.
A anĂĄlise estĂĄ prevista para durar atĂ© sexta (12). Ainda devem votar a ministra CĂĄrmen LĂșcia e o ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma e responsĂĄvel pela condução dos trabalhos. Â
Quem são os réus
- Jair Bolsonaro â ex-presidente da RepĂșblica;
- Alexandre Ramagem – ex-diretor da AgĂȘncia Brasileira de InteligĂȘncia (Abin);
- Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretĂĄrio de Segurança do Distrito Federal;
- Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
- Paulo SĂ©rgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto – ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro na chapa de 2022;
- Mauro Cid â ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
CrimesÂ
Todos os rĂ©us respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado DemocrĂĄtico de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violĂȘncia e grave ameaça e deterioração de patrimĂŽnio tombado.
A exceção Ă© o caso do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem que, atualmente, Ă© deputado federal. Ele foi beneficiado com a suspensĂŁo de parte das acusaçÔes e responde somente a trĂȘs dos cinco crimes. A regra estĂĄ prevista na Constituição.Â
A suspensĂŁo vale para os crimes de dano qualificado pela violĂȘncia e grave ameaça, contra o patrimĂŽnio da UniĂŁo, com considerĂĄvel prejuĂzo para a vĂtima e deterioração de patrimĂŽnio tombado, relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro.Â
