Centrais sindicais fazem protesto na Avenida Paulista contra Selic


Centrais sindicais promoveram nesta terça-feira um protesto em diversas cidades do país pedindo a redução da taxa båsica de juros (Selic). Em São Paulo, o ato ocorreu em frente à sede do Banco Central, na Avenida Paulista, e reuniu centenas de pessoas.

“Esse ato aqui Ă© uma tradição e acontece no momento em que o Banco Central vai decidir a taxa de juros”, explicou JoĂŁo Carlos Gonçalves, o Juruna, da Força Sindical.

“Na nossa opiniĂŁo, a taxa de juros alta acaba prejudicando o investimento na indĂșstria e o consumo porque os preços sobem e isso acaba atingindo tambĂ©m a geração de emprego. Quanto mais baixos forem os juros no nosso paĂ­s, as condiçÔes econĂŽmicas serĂŁo melhores para a produção, para o consumo e para a geração de emprego”, acrescentou, em entrevista Ă  AgĂȘncia Brasil.

Chamado de Dia Nacional de Mobilização Menos Juros, Mais Empregos, o ato contou com a participação da Força Sindical, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), da União Geral dos Trabalhadores (UGT), da Intersindical e da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NTST).

Atualmente, a taxa Selic estĂĄ em 13,25%, mas hĂĄ uma estimativa de que a reuniĂŁo do ComitĂȘ de PolĂ­tica MonetĂĄria (Copom) do Banco Central, que ocorre hoje e amanhĂŁ (19), eleve a taxa para 14,25%, maior patamar desde 2016.

“O objetivo principal desse ato Ă© exatamente criticar a possibilidade de mais uma alta na taxa de juros, a taxa bĂĄsica Selic, que jĂĄ se encontra em 13,25%. Lamentavelmente o Banco Central age como o mordomo da [avenida] Faria Lima, ou seja, o Brasil virou o paraĂ­so do rentismo. Hoje o paĂ­s pratica a maior taxa de juros do planeta. E isso sugere que hĂĄ uma insensatez. NĂŁo hĂĄ razĂ”es para o Banco Central, o ComitĂȘ de PolĂ­tica MonetĂĄria, agir como garçom dos banqueiros, do capital especulativo e do rentismo. É preciso que a gente sinalize uma nova possibilidade. O mundo todo indica que a melhor resposta para sair da recessĂŁo Ă© exatamente baixar juros”, disse Adilson AraĂșjo, presidente nacional da CTB. “NĂŁo podemos seguir permitindo que o Estado sirva de banco para satisfazer o ego do grande capital”, ressaltou.

AlĂ©m das centrais dos trabalhadores, o ato tambĂ©m contou com o apoio de integrantes da UniĂŁo Municipal dos Estudantes (Umes). “O movimento estudantil vive denunciando a falta de investimento na educação. Um dos principais entraves do Brasil e tambĂ©m para investimento na educação Ă© a altĂ­ssima taxa de juros. No ano passado, o valor investido na educação foi sete vezes menor do que para bolsa de banqueiro. Os estudantes estĂŁo cansados de viver nessa realidade, de ter as suas costas sucateadas, enquanto todo ano a gente repassa bilhĂ”es e bilhĂ”es de reais para bancos”, disse Valentina Macedo, presidente da Umes.

Procurado pela AgĂȘncia Brasil, o Banco Central nĂŁo se pronunciou, atĂ© este momento, sobre a manifestação das centrais sindicais.

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