Projeto CasaBloco vai apresentar a diversidade dos carnavais do Brasil


“Ô abre alas, que eu quero passar
” Ă© a CasaBloco pedindo para apresentar a sua 6ÂȘ edição com toda a multiplicidade e a diversidade dos carnavais do Brasil. A diversĂŁo do pĂșblico de 6 a 8 de fevereiro terĂĄ mais de 10 horas de programação diĂĄria, que inclui shows em dois palcos, performances, oficinas, feiras de moda, gastronomia, bailes e apresentaçÔes de blocos. Neste ano, o tema Ă© Onde os Carnavais do Brasil se Encontram.

Pela primeira vez, o local do encontro serĂĄ o Jockey Club, na GĂĄvea, zona sul do Rio de Janeiro, onde vai se espalhar nas tribunas B e C. Artistas como Roberta SĂĄ, Vanessa da Mata, Elba Ramalho, Mart’nĂĄlia, Chico CĂ©sar, Diogo Nogueira, Sidney Magal, Gretchen e MĂŁeana, estĂŁo confirmadas entre as 25 atraçÔes.

“A gente sabe que Ă© importante ter um artista grande de renome, mas ele tem que ser um facilitador de divulgação de um artista que nĂŁo tem visibilidade. Quando montamos a nossa programação, sempre tem um artista grande, um jovem e um novo na cena, os blocos e as tradiçÔes de raiz, porque uma coisa completa a outra e assim conseguimos dar visibilidade para todo mundo”, explicou a idealizadora e diretora geral do projeto, Rita Fernandes, Ă  AgĂȘncia Brasil.

A programação do festival, patrocinado pelo Ministério da Cultura e Petrobras, com direito a bailes com o Monobloco e a Carnageralda, mistura festa e bloco. O reforço na alegria virå com um tributo inédito à figura de destaque da TV brasileira, o Chacrinha, com apresentação do Bloco Fogo & Paixão, que convida Sidney Magal, Gretchen e Natascha Falcão. O Velho Guerreiro, como era chamado, serå caracterizado pelo apresentador Milton Cunha, que se apresentarå ao lado das Chacretes.


Rio de Janeiro (RJ) 18/01/2025 - Rita Fernandes, idealizadora e diretora geral da Casabloco - Mariana Guedes cantora do bloco Fogo & PaixĂŁo.
Foto: Suzana Tierie/Divulgação
Rio de Janeiro (RJ) 18/01/2025 - Rita Fernandes, idealizadora e diretora geral da Casabloco - Mariana Guedes cantora do bloco Fogo & PaixĂŁo.
Foto: Suzana Tierie/Divulgação

Rita Fernandes, idealizadora e diretora geral da Casabloco – Suzana Tierie/Divulgação

Junto e misturado

Como a proposta da CasaBloco 2025 Ă© ser ainda mais diversa e inclusiva, na sexta-feira, 7 de fevereiro, o festival vai juntar representantes dos carnavais dos estados. A tarde começa com o Bloco da Terreirada, referĂȘncia da cultura popular do CearĂĄ se misturando ao Reisado de Congo do Cariri com a Cultura Carioca dos Blocos de Rua. No dia seguinte, a CasaBloco terĂĄ ao mesmo tempo atraçÔes do ParĂĄ, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Para a cantora do bloco Fogo & Paixão Mariana Guedes, a integração com manifestaçÔes de outras partes do país ajuda os promotores de carnaval do Rio a fazer novas conexÔes com blocos e bandas de outras partes do Brasil. 

“É super importante para a gente poder crescer, mudar, diversificar. A CasaBloco traz esse intercĂąmbio de maneira muito fluida e muito importante, mostrando que o carnaval nĂŁo Ă© sĂł aqui, muito pelo contrĂĄrio, estĂĄ crescendo. Eu sou de Curitiba, que nĂŁo costumava ter carnaval de rua tĂŁo forte, e hoje estĂĄ enorme o carnaval de rua lĂĄ. A CasaBloco começa a mostrar pra gente esses outros carnavais, que sĂŁo diferentes, mesmo que sejam blocos de rua”, disse Ă  AgĂȘncia Brasil.

“Cada ano mais cheio e os ingressos esgotam mais rapidamente. Pra mim isso Ă© a prova de como o pĂșblico aceita e quer essa diversidade e conhecer essa mistura toda”, completou.

CCBB

As atraçÔes tĂȘm agendas tambĂ©m no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no centro da cidade, das 9h Ă s 21h. Com ingresso gratuito, na CasaBloco Multilinguagem o pĂșblico vai se divertir em oficinas de mĂĄscaras carnavalescas, lambe-lambe, maquiagem, na Mostra de Cinema Petrobras CasaBloco, e participar de rodas de conversa e das apresentaçÔes dos grupos Filhos de Gandhi e Caxambu do Salgueiro.

HaverĂĄ uma conversa sobre o livro Salgueiro, o “Quilombo” Moderno: batuqueiro, mandingueiro, diferente, com a participação da pesquisadora Helena Theodoro, do jornalista Leonardo Bruno, autor do livro junto com Nei Lopes, e Marcelo da Paz ỌlajinminĂĄ, vice-presidente do grupo cultural Caxambu do Salgueiro, patrimĂŽnio cultural e imaterial do Brasil.

“Participar de um evento desse Ă© uma forma de fomentar um bem imaterial, porque o Caxambu do Salgueiro Ă© PatrimĂŽnio Imaterial Brasileiro reconhecido pelo Iphan desde 2005, a referĂȘncia cultural mais antiga que nĂłs temos. O Morro do Salgueiro Ă© um ancestral do samba, e participar de um evento desse Ă© uma forma de ajudar a salvaguardar a nossa cultura pela prĂłpria visibilidade do prĂłprio evento para este grupo. A gente se sente honrado pelo convite”, disse Marcelo da Paz ỌlajinminĂĄ Ă  AgĂȘncia Brasil.

O vice-presidente do grupo cultural explicou que o Caxambu do Salgueiro é composto majoritariamente por mulheres acima de 70 anos de idade, e as matriarcas mais longevas são Tia Dorinha, de 97 anos, e Tia Celina, de 87, que passam a cultura da dança do Caxambu às geraçÔes mais novas do Morro do Salgueiro, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro.


Rio de Janeiro (RJ) 18/01/2025 - Marcelo da Paz ỌlajinminĂĄ e Tia Celina, 87 anos matriarca do Caxambu do Salgueiro, patrimĂŽnio cultural e imaterial do Brasil
Foto: Marcelo da Paz ỌlajinminĂĄ/Arquivo pessoal
Rio de Janeiro (RJ) 18/01/2025 - Marcelo da Paz ỌlajinminĂĄ e Tia Celina, 87 anos matriarca do Caxambu do Salgueiro, patrimĂŽnio cultural e imaterial do Brasil
Foto: Marcelo da Paz ỌlajinminĂĄ/Arquivo pessoal

Marcelo da Paz ỌlajinminĂĄ e Tia Celina, 87 anos, matriarca do Caxambu do Salgueiro – Foto: Marcelo da Paz ỌlajinminĂĄ/Arquivo pessoal

Moda

O festival terå ainda Feira de Moda A Rua é Nossa, em parceria com o Instituto Black Bom. O evento vai reunir 20 empreendedores do estado do Rio de Janeiro promovendo impacto social e econÎmico na economia criativa do carnaval. 

“Dos participantes 80% sĂŁo pretos e pardos, 81% sĂŁo mulheres, 75% empreendem hĂĄ mais de 5 anos, 61,5 % tĂȘm filhos e 71% tĂȘm o seu empreendimento como a principal fonte de renda da casa”, informou a organização.

A secretåria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Danielle Barros, lembra que a CasaBloco faz parte do calendårio do estado do Rio de Janeiro. E ressalta que promove o carnaval fluminense para além da folia e da festa, porque também pensa o segmento como economia criativa e geração de emprego e renda.

A diversidade estarĂĄ presente ainda na gastronomia, com assinatura da Junta Local – comunidade que busca transformar o sistema alimentar pela comida boa, local e justa – na curadoria com produtores locais. Os foliĂ”es vĂŁo poder saborear comidas veganas, lanches saudĂĄveis e comidas de diversos sotaques.

Social

Nesta edição, o festival empregarĂĄ mais de 1 mil pessoas desde a prĂ©-produção atĂ© a pĂłs-produção. “O projeto mantĂ©m uma parceria com o Muca – Movimento Unido dos CamelĂŽs, fundado em 2003, que recebe os alimentos doados por meio da meia-entrada solidĂĄria. A CasaBloco tambĂ©m firmou uma parceria com a ONG Sorrindo RJ, para a contratação de pessoas com deficiĂȘncia”, informou a organização.

Olinda

Antes de todos esses eventos, a CasaBloco continuarĂĄ se estendendo para fora do Rio e, este ano, pela segunda vez, participarĂĄ do prĂ©-carnaval de Olinda, nos dias 1Âș e 2 de fevereiro, em parceria com o Centro Cultural Casa Estação da Luz, misturando o samba carioca com o frevo pernambucano. 

“A gente tem planos de expandir em 2026 para mais uma cidade. A gente está querendo levar o projeto para Salvador, para fazer o triñngulo Rio, Olinda e Salvador”, adiantou Rita Fernandes.

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